23 de fevereiro de 2025
HIS 2026: 6 lições do maior evento de inovação em saúde da América Latina

Nos dias 16 e 17 de setembro de 2026, o São Paulo Expo recebeu a 12ª edição do Healthcare Innovation Show (HIS), organizado pela Informa Markets e a Nuria estava presente. Considerado pela organização o maior evento de tecnologia e inovação em saúde da América Latina, o HIS reúne mais de 100 marcas e conecta gestores, especialistas, empresas e investidores em torno da transformação digital da saúde.
Mais do que acompanhar as novidades apresentadas, nós estivemos atentos ao que se repetiu nas conversas, nos palcos e nas soluções apresentadas. E uma mudança ficou especialmente evidente: a discussão está deixando de ser sobre o que a tecnologia consegue fazer e passando a ser sobre o que precisa estar integrado para que ela funcione.
Vamos trazer um resumo para você de tudo o que vimos:
O que foi o HIS 2026?
O Healthcare Innovation Show 2026 (HIS 2026) aconteceu nos dias 16 e 17 de setembro, no São Paulo Expo, em São Paulo, chegando à sua 12ª edição. Organizado pela Informa Markets, o evento reuniu o ecossistema de tecnologia aplicada à saúde em quatro grandes eixos: Acesso e Escala, Cuidado Digital e Humanizado, Resultado e Impacto e Governança e Inteligência Digital.
A programação combinou palestras, painéis, cases, feira de negócios e uma nova área dedicada a rodadas de negócios e matchmaking entre compradores, fornecedores de tecnologia e startups.
Para nós da Nuria, porém, o mais interessante não está apenas na quantidade de soluções apresentadas. Está no tipo de problema que essas soluções estão tentando resolver.
Quais foram as principais lições do HIS 2026?
1. Acesso e escala: inovação precisa funcionar fora do piloto
Quando falamos em inovação em saúde, existe uma diferença importante entre demonstrar que uma tecnologia funciona e fazê-la funcionar em uma operação complexa.
Esse desafio apareceu de diferentes formas no HIS 2026. A presença de executivos de grandes organizações e a própria estrutura do evento reforçaram uma preocupação que tende a ganhar ainda mais espaço: como levar soluções digitais para operações maiores, mais heterogêneas e com demandas crescentes?
A discussão sobre acesso também ganhou uma dimensão internacional. Portugal foi o país convidado desta edição, trazendo experiências relacionadas à saúde digital, integração de sistemas e governança de inteligência artificial.
O contraste entre os dois países ajuda a colocar a questão em perspectiva. Não basta importar uma solução. É preciso entender infraestrutura, escala, processos, regulação e características do sistema em que ela será aplicada. Para 2027, inovação em escala tende a ganhar força quando novas tecnologias são integradas de forma estratégica à operação existente.
2. Cuidado digital e humanizado: tecnologia não substitui a experiência
A transformação digital também foi discutida a partir de uma perspectiva que vai além da tecnologia: a experiência de quem utiliza o sistema de saúde.
Na Entrevista Master do evento, Paulo Moll, CEO da Rede D’Or, relacionou digitalização, automação e experiência do paciente. Entre os exemplos apresentados estavam check-in online, digitalização de processos e automação de etapas da recepção e internação.
O ponto é relevante porque a experiência digital não acontece isoladamente. Para o paciente, pouco importa se determinada etapa foi automatizada por IA, RPA ou outro recurso. O que importa é se ele precisou repetir informações, esperar desnecessariamente ou enfrentar uma jornada fragmentada.
Como resumiu Moll durante o evento: “Muito da experiência negativa do paciente vem da burocracia.”
A mesma lógica apareceu na palestra de abertura do Dr. Brian Han, cardiologista pediátrico e médico intensivista da Stanford University. Ao falar sobre o clínico inovador, Han destacou a importância de envolver profissionais da assistência na construção das soluções digitais.
Para nós, fica a lição: Cuidado digital significa usar a tecnologia para reduzir atritos na jornada e, ao mesmo tempo, preservar a dimensão humana do cuidado.
3. Resultado e impacto: a tecnologia precisa responder ao negócio
Outro movimento perceptível no HIS 2026 foi a aproximação entre inovação e eficiência operacional.
Não por acaso, a Entrevista Master com Paulo Moll colocou eficiência e integração de operações em larga escala no centro da conversa. A inteligência artificial apareceu não apenas como ferramenta clínica, mas também aplicada a processos administrativos.
Um exemplo citado por Moll foi o uso de IA no fechamento de contas hospitalares, com potencial para reduzir erros e retrabalho.
Essa mudança de foco é importante. Durante algum tempo, boa parte da conversa sobre IA em saúde esteve concentrada em possibilidades: geração de conteúdo, apoio à decisão, análise de dados e automação e agora, a pergunta começa a ser outra: Onde essa tecnologia gera resultado mensurável?
Nas conversas acompanhadas pelo nosso time comercial durante o evento, esse aspecto também apareceu com frequência. Soluções de IA como copilotos para médicos, automação de processos e recursos para reduzir burocracia já não soam como conceitos experimentais. Muitas delas estão sendo apresentadas como instrumentos para atacar custos, produtividade e experiência.
Por isso, implementar IA exige clareza sobre três pontos: qual processo será transformado, qual objetivo será perseguido e qual resultado se espera alcançar.
4. Governança e inteligência digital: o gargalo pode estar antes da IA
Talvez uma das leituras mais importantes do HIS 2026 esteja justamente aqui.
Enquanto a inteligência artificial avança, os sistemas que precisam alimentá-la continuam sendo um desafio. Dados fragmentados, sistemas que não conversam, processos pouco estruturados e diferentes padrões de informação limitam o potencial das novas ferramentas.
Por isso, interoperabilidade apareceu como uma questão estratégica e não apenas técnica.
A programação do palco de Governança e Inteligência Digital by ABCIS colocou lado a lado temas como governança de dados, IA ética, cibersegurança, interoperabilidade, hospital como plataforma e IA generativa na prática clínica.
A experiência portuguesa reforçou esse ponto. Durante o evento, Francisco Catalão, secretário de Estado da Gestão da Saúde de Portugal, destacou que sistemas precisam ser capazes de se comunicar, mas também operar dentro de regras claras de acesso à informação, consentimento, proteção de dados e responsabilização.
Isso muda a ordem da conversa.
Antes de perguntar qual agente de IA implementar, gestores precisam entender se os dados estão disponíveis, estruturados, acessíveis e conectados.
Em muitos projetos de IA, resultados consistentes começam com uma infraestrutura de informação preparada para sustentá-los e não só o algoritmo.
5. Agentes de IA na saúde: o próximo passo é integrar inteligência ao fluxo
A inteligência artificial esteve presente em diferentes frentes do HIS 2026, mas não necessariamente como uma novidade isolada.
Entre as aplicações discutidas estavam copilotos para médicos, automação administrativa, apoio à jornada digital do paciente e recursos capazes de reduzir tarefas burocráticas.
Isso ajuda a explicar uma mudança importante no discurso sobre IA na saúde: o valor deixa de estar apenas na capacidade de gerar uma resposta e passa a estar na capacidade de atuar dentro de um processo.
Um agente de IA que funciona isoladamente pode produzir uma demonstração interessante. Já uma solução conectada ao prontuário, aos fluxos administrativos, às regras de segurança e aos sistemas utilizados pelas equipes pode interferir de fato na operação.
É uma diferença grande entre usar IA e usar inteligência incorporada ao trabalho.
E é justamente nesse ponto que a discussão sobre agentes de IA se conecta à interoperabilidade: quanto mais a inteligência depender de contexto, dados e execução, maior será a necessidade de integração entre sistemas.
Dessa forma, a próxima etapa da IA em saúde não será definida apenas por modelos mais capazes, mas pela qualidade da arquitetura em que eles estarão inseridos.
6. Inovação em saúde está ficando mais orientada a implementação
A própria estrutura do HIS 2026 reforçou uma última mudança: inovação está cada vez mais próxima de execução.
A estreia de um espaço dedicado a rodadas de negócios e matchmaking, aproximando compradores, fornecedores de tecnologia e startups, é um sinal disso.
O movimento também apareceu no conteúdo. Em vez de discutir apenas tendências abstratas, a programação colocou em pauta eficiência, casos de uso, governança, integração e desafios de implementação.
A presença do HISx, com experiências de setores como aviação e indústria aplicadas aos desafios da saúde, segue a mesma lógica: buscar referências que possam ser adaptadas a operações complexas.
Para quem está na gestão, isso representa uma mudança relevante. O evento passa a ser também um espaço para avaliar onde, como e em quais condições novas tecnologias podem ser incorporadas à operação.
A maturidade da inovação se evidencia na capacidade de transformar novas tecnologias em processos sustentáveis, integrados à estratégia e à realidade do negócio.
“Uma coisa que chamou atenção foi a presença da IA aplicada a problemas muito concretos: como copiloto do médico, para reduzir burocracia e tempo operacional, na jornada digital do paciente e também na redução de custos. Mais do que apresentar tecnologias completamente novas, o HIS mostrou soluções que já conhecemos sendo aplicadas em diferentes frentes da operação.”
Fernando Soares, CEO da Nuria
O fio que conectou os palcos do HIS 2026
Embora os temas tenham passado por acesso, experiência, eficiência e governança, todos apontaram para a mesma direção: a tecnologia só gera valor quando está integrada aos sistemas, dados e processos da operação de saúde.
A discussão sobre IA avança para uma questão central: nossos sistemas estão preparados para viabilizar todo o potencial dessas tecnologias? Exploramos esse avanço com mais profundidade no conteúdo sobre agentes de IA na saúde, publicado anteriormente e você pode lê-lo clicando aqui.
Mas afinal: que o HIS 2026 sinaliza para 2027?
O HIS 2026 mostrou um setor menos interessado em tecnologia pela tecnologia e mais atento às condições necessárias para transformá-la em resultado. IA, automação, agentes inteligentes e saúde digital continuam avançando. Porém, quanto mais essas ferramentas entram na operação, mais importantes se tornam os elementos que ficam nos bastidores: dados estruturados, interoperabilidade, governança, segurança, processos e integração.
Para gestores que começam a estruturar o planejamento do próximo ano, essas discussões deixam algumas prioridades mais concretas:
Mapear onde a automação pode reduzir burocracia
Identificar processos repetitivos, gargalos administrativos e atividades que consomem tempo das equipes sem gerar valor proporcional.
Preparar os sistemas para interoperar
Projetos de IA e saúde digital dependem de dados acessíveis, estruturados e confiáveis. Por isso, integração precisa ser tratada como infraestrutura estratégica, e não como uma etapa posterior.
Definir como medir o impacto da inovação
Redução de custos é uma métrica importante, mas não a única. Tempo de atendimento, retrabalho, produtividade, adesão, satisfação e continuidade do cuidado também ajudam a avaliar os resultados.
Avaliar o impacto sobre a experiência do paciente
Uma jornada mais digital não é necessariamente uma jornada melhor. O critério deve ser o problema que a tecnologia resolve, tanto para o paciente quanto para as equipes.
No fim, talvez a principal questão para 2027 esteja na capacidade de integrar tecnologias, sistemas e processos para ampliar o valor gerado pela infraestrutura que as empresas já possuem.
Se a próxima fase da inovação é menos sobre adotar e mais sobre integrar, o que ainda falta conectar na sua operação?
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