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23 de fevereiro de 2025

Por que muitos hospitais investem em tecnologia, mas ainda têm baixa maturidade digital hospitalar?

Durante a última década, a transformação digital na saúde passou a ocupar espaço central nas agendas estratégicas de hospitais. Prontuário eletrônico, telemedicina, sistemas clínicos integrados, plataformas de dados e, mais recentemente, iniciativas de IA na saúde tornaram-se indicadores visíveis de modernização.

No entanto, uma pergunta começa a surgir entre gestores que acompanham de perto essa evolução: digitalizar processos significa, de fato, avançar em maturidade digital hospitalar?

À primeira vista, a resposta parece positiva. Afinal, poucos hospitais hoje operam sem algum nível de digitalização. Entretanto, quando analisamos o impacto real dessas tecnologias na gestão, na experiência do paciente e na integração assistencial, o cenário se torna mais complexo.

É justamente essa diferença entre adotar tecnologia e estruturar uma estratégia digital madura que começa a separar organizações que apenas evoluíram operacionalmente daquelas que estão construindo vantagem competitiva.

Em outras palavras: a transformação vai além de instalar novas ferramentas, foca em orquestrar dados, governança e jornada assistencial de forma integrada.

Se interessou? Continue a leitura para entender mais.

A transformação digital na saúde é uma ilusão?

Nos últimos anos, grande parte dos hospitais investiu fortemente em tecnologia. Sistemas clínicos foram implantados, plataformas administrativas foram digitalizadas e novos recursos digitais passaram a apoiar o cuidado.

Esse movimento trouxe ganhos importantes. Entre eles:

  • redução de tarefas manuais;

  • melhoria na rastreabilidade de processos;

  • maior disponibilidade de informações clínicas;

  • aumento da eficiência operacional.


No entanto, esses avanços muitas vezes criaram uma percepção enganosa de transformação.

Isso acontece porque digitalizar processos não é necessariamente transformar a organização.

Na prática, muitos hospitais passaram a operar com múltiplas soluções tecnológicas que funcionam bem de forma isolada, mas que ainda apresentam baixa integração entre si. Como consequência, dados continuam fragmentados, decisões estratégicas permanecem descentralizadas e a jornada digital do paciente ainda enfrenta rupturas entre diferentes pontos do cuidado.

Portanto, o desafio atual deixou de ser simplesmente tecnológico e passou a ser estrutural e estratégico.

Nesse contexto, o conceito de maturidade digital hospitalar começa a ganhar relevância como uma forma mais precisa de avaliar o estágio de evolução digital das organizações de saúde.

O que o estudo Mapa da Maturidade Digital dos Hospitais Anahp 2025 revela

Um dos retratos mais recentes desse cenário está no Mapa da Maturidade Digital dos Hospitais Anahp 2025, estudo desenvolvido pela consultoria FOLKS em parceria com a Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp).

A pesquisa utiliza o Digital Maturity Index for Healthcare (DMI-H), metodologia criada para avaliar o grau de maturidade digital das organizações de saúde a partir de diferentes domínios estratégicos, incluindo tecnologia, governança, cultura digital e experiência assistencial.

Os resultados revelam um panorama interessante, veja:

  • A média geral de maturidade digital hospitalar no Brasil é de 56,3%, indicando que o setor já avançou significativamente na adoção de tecnologia. No entanto, esse índice também sugere que grande parte das instituições ainda opera em um estágio intermediário de maturidade.

  • Além disso, o estudo aponta uma variação ampla entre hospitais, com níveis que vão de 22% a 88%. Essa diferença evidencia que a evolução digital não ocorre de forma homogênea, enquanto algumas instituições já estruturam estratégias digitais integradas, outras ainda estão nos primeiros passos da digitalização.

  • Outro dado relevante é que hospitais associados à Anahp apresentam, em média, cerca de 10 pontos percentuais a mais de maturidade digital em comparação com a média nacional, o que reforça o impacto de estratégias institucionais estruturadas e investimentos consistentes em inovação. No entanto, talvez o aspecto mais revelador do estudo esteja na análise dos diferentes domínios avaliados.

Infraestrutura já não é mais o principal gargalo

Durante muitos anos, a principal barreira para a transformação digital hospitalar foi a infraestrutura tecnológica. Falta de conectividade, sistemas fragmentados e baixa capacidade de processamento limitavam a adoção de soluções mais avançadas.

Hoje, esse cenário começa a mudar.

Referenciando novamente o Mapa da Maturidade Digital dos Hospitais Anahp 2025, o domínio mais avançado entre os hospitais avaliados é justamente Infraestrutura, Arquitetura e Segurança, com 64,1% de maturidade.

Esse dado indica que a base tecnológica necessária para a digitalização já está relativamente consolidada em boa parte das instituições.

Em outras palavras, muitos hospitais já possuem redes e conectividade adequadas, infraestrutura segura para gestão de dados e plataformas tecnológicas capazes de suportar novas soluções digitais.

No entanto, mesmo com essa evolução tecnológica, a maturidade digital hospitalar média continua intermediária.

Isso levanta uma questão importante: se a infraestrutura avançou, por que a maturidade digital não evoluiu no mesmo ritmo?

E a resposta está nos domínios que apresentam menor desenvolvimento.

O novo gargalo: governança digital, dados e competências

Quando observamos as dimensões menos maduras do estudo, fica claro que o desafio da transformação digital hospitalar mudou de natureza.

Hoje, as principais lacunas estão em governança, estratégia e competências digitais.

Entre os indicadores mais baixos do levantamento estão:

  • Governança digital hospitalar — 38%

  • Governança de IA — 41%

  • Competência digital — 35%

  • IA na saúde — 23%

  • Homecare — 18%


Esses números mostram que a tecnologia, por si só, não garante evolução organizacional.

Na prática, muitas instituições já possuem ferramentas digitais sofisticadas, mas ainda enfrentam dificuldades para:

  • integrar dados entre sistemas

  • estruturar governança de informação

  • alinhar tecnologia com estratégia assistencial

  • desenvolver competências digitais nas equipes

Novo gargalo da maturidade digital em saúde - governância de dados

Consequentemente, decisões clínicas e administrativas continuam sendo tomadas com base em informações fragmentadas ou pouco integradas.

Nesse ponto, a interoperabilidade hospitalar passa a assumir um papel central.

Sem interoperabilidade, sistemas digitais funcionam como ilhas tecnológicas. Já quando dados circulam de forma estruturada entre diferentes áreas como assistência, gestão, diagnóstico e relacionamento com pacientes, o hospital passa a operar como um ecossistema conectado.

Além disso, à medida que iniciativas de IA na saúde começam a se expandir, a necessidade de governança se torna ainda mais crítica. Algoritmos dependem de dados confiáveis, integrados e bem estruturados. Sem isso, o potencial da inteligência artificial permanece limitado.

Portanto, o novo desafio da maturidade digital hospitalar não está mais em adotar tecnologia, mas em orquestrar tecnologia, dados e pessoas de forma estratégica.

Você pode ler mais sobre interoperabilidade neste outro artigo que publicamos. Clique aqui

A jornada digital do paciente como eixo da maturidade

Dessa forma, se existe um elemento capaz de alinhar todos esses desafios, ele é a jornada digital do paciente.

Tradicionalmente, muitos projetos de digitalização hospitalar foram estruturados a partir de departamentos ou processos específicos. Sistemas clínicos, administrativos e financeiros evoluíram de forma relativamente independente.

No entanto, a experiência real do paciente não acontece em silos; ela acontece ao longo de uma jornada que inclui diferentes pontos de contato, como:

✔ Agendamento
✔ Admissão
✔ Diagnóstico
✔ Tratamento
✔ Acompanhamento
✔ Continuidade do cuidado

Quando esses momentos não estão conectados por dados integrados e processos coordenados, a experiência se fragmenta.

Por outro lado, hospitais que estruturam sua estratégia digital a partir da jornada assistencial passam a enxergar a tecnologia de forma diferente.

Nesse modelo, cada solução digital deixa de ser apenas uma ferramenta operacional e passa a cumprir um papel dentro de uma arquitetura maior de cuidado.

Isso significa que a maturidade digital hospitalar não é definida apenas pela quantidade de sistemas implantados, mas pela capacidade de conectar tecnologia, processos e experiência assistencial.

Além disso, quando a jornada se torna o eixo organizador da estratégia digital, temas como interoperabilidade hospitalar, governança de dados e competência digital das equipes deixam de ser iniciativas isoladas e passam a compor uma visão integrada de transformação.

Nesse contexto, torna-se claro que a diferença entre hospitais digitalizados e hospitais digitalmente maduros está na forma como a tecnologia é utilizada. Digitalizar processos traz ganhos importantes de eficiência operacional, reduz custos e melhora a gestão de rotinas assistenciais. 

No entanto, a maturidade digital hospitalar surge quando tecnologia, dados e governança passam a operar de forma integrada, sustentando decisões estratégicas e jornadas assistenciais mais fluidas. Instituições que alcançam esse estágio conseguem conectar informações clínicas e administrativas, estruturar uma visão contínua da jornada do paciente e ampliar o uso estratégico de dados e inteligência artificial. 

Assim, enquanto a digitalização melhora a eficiência, é a orquestração digital que começa a definir vantagem competitiva no setor de saúde.

Então, qual o futuro da maturidade digital hospitalar?

O cenário apontado pelo Mapa da Maturidade Digital dos Hospitais Anahp 2025 mostra que a saúde brasileira já avançou significativamente na adoção de tecnologia.

No entanto, o próximo salto não será impulsionado apenas por novos sistemas ou ferramentas.

Ele dependerá da capacidade das organizações de estruturar governança digital hospitalar, interoperabilidade de dados e estratégias centradas na jornada do paciente.

Hospitais que continuarem enxergando a transformação digital apenas como implantação de tecnologia tendem a evoluir mais lentamente.

Por outro lado, aqueles que passam a tratar o digital como arquitetura organizacional, conectando dados, processos e experiência assistencial, começam a construir um novo nível de maturidade.

A pergunta que permanece para gestores da saúde é simples, mas estratégica:

Seu hospital está apenas digitalizando processos ou realmente avançando em maturidade digital hospitalar?

Se esse é um tema prioritário para sua instituição, é importante aprofundar essa discussão.

Converse com um especialista da Nuria sobre maturidade digital hospitalar e explore caminhos para estruturar uma estratégia digital realmente integrada.


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