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23 de fevereiro de 2025

O futuro da transformação digital na saúde e o que vimos na London Tech Week 2026

A transformação digital na saúde está entrando em uma nova fase. Depois de anos focadas em digitalizar processos, as instituições mais inovadoras passaram a concentrar seus esforços em um desafio maior: conectar pessoas, dados e serviços para oferecer uma experiência de cuidado contínua e centrada no paciente.

Foi justamente essa mudança de perspectiva que nos levou até a Brazilian HealthTech Immersion: London Edition, missão internacional promovida pela AWS Startups durante a London Tech Week 2026. Ao lado de outras healthtechs brasileiras, participamos de uma imersão no ecossistema britânico de inovação em saúde para conhecer, de perto, as estratégias que estão redefinindo o futuro do setor.

Ao longo da programação, um aprendizado ficou evidente: inteligência artificial, interoperabilidade e infraestrutura digital só geram impacto quando trabalham de forma integrada. Mais do que acompanhar tendências globais, a participação da Nuria reforçou a convicção de que esse é o caminho para construir uma saúde mais conectada, eficiente e centrada nas pessoas: uma visão que a empresa já vem colocando em prática ao lado de hospitais, clínicas e operadoras brasileiras.

Entenda mais sobre o evento e nossas percepções:

O que Londres mostrou sobre o próximo capítulo da transformação digital na saúde?

Ao longo da imersão, foi possível perceber que a transformação digital da saúde entrou em uma nova fase e a tecnologia continua sendo indispensável, mas deixou de ocupar o centro das discussões.

Hoje, o diferencial competitivo das instituições mais maduras não está em possuir mais plataformas ou implementar ferramentas isoladas, mas sim, na capacidade de fazer com que todas essas soluções trabalhem de forma integrada para entregar uma jornada consistente ao paciente.

Essa mudança apareceu de diferentes maneiras durante as agendas promovidas pela AWS. Inteligência artificial, interoperabilidade, infraestrutura em nuvem, experiência do paciente e novos modelos assistenciais deixaram de ser tratados como temas separados para compor uma visão única sobre o futuro da saúde.

Fernando Soares, CEO da Nuria, resume esse direcionamento ao comentar uma das agendas realizadas na Amazon:

"A gente acabou de sair de uma agenda no escritório da Amazon. Foi muito legal. A gente falou muito do futuro da saúde, de como a Amazon é estratégica em apoiar seus parceiros com inteligência artificial e infraestrutura."

A fala evidencia um aspecto importante: a inteligência artificial ganhou espaço como aceleradora da inovação, mas sempre apoiada por uma base robusta de infraestrutura e integração de dados. 

E esse foi um dos pontos que mais chamou a atenção da nossa equipe durante a missão: em vez de encontrar uma ruptura entre o que está sendo discutido internacionalmente e o cenário brasileiro, identificamos uma forte convergência entre as tendências globais e a direção que já vem orientando o desenvolvimento de suas soluções.

Mais do que acompanhar a evolução da saúde digital, a participação na missão reforçou a convicção de que integração, interoperabilidade e experiência do paciente serão os pilares da próxima década.

O paciente deixou de ser apenas atendido. Agora, ele orienta toda a estratégia.

Existe uma característica comum entre os sistemas de saúde considerados referência mundial: todos eles reorganizam seus serviços a partir da perspectiva do paciente.

Durante a imersão, esse conceito apareceu de forma recorrente por meio da abordagem conhecida como New Models of Care. Em vez de estruturar processos pensando exclusivamente na operação hospitalar, esse modelo propõe que toda decisão seja orientada pela experiência de quem recebe o cuidado.

Na prática, essa mudança altera a forma como hospitais, clínicas e operadoras desenham seus fluxos assistenciais.

Assim, o cuidado não começa mais na recepção, mas no momento em que o paciente procura informações sobre um serviço, agenda uma consulta pelo celular, recebe orientações antes do atendimento, acessa seus resultados digitalmente ou mantém contato com a instituição após a alta.

Essa visão amplia significativamente o papel da tecnologia e é nesse contexto que conceitos como Digital Front Door ganham protagonismo.

Muito além de um portal do paciente ou de um aplicativo, o Digital Front Door representa a construção de uma porta de entrada única para os serviços de saúde. O objetivo é oferecer uma experiência simples, contínua e integrada, independentemente do canal utilizado pelo paciente.

Na prática, essa estratégia reúne diferentes recursos em uma única jornada, como:

  • agendamento online;

  • confirmação automática de consultas;

  • comunicação omnichannel;

  • acesso a exames e documentos;

  • teleatendimento;

  • acompanhamento pós-consulta;

  • interação digital contínua com a instituição.

O resultado é uma experiência mais fluida para o paciente e, ao mesmo tempo, uma operação mais eficiente para as equipes assistenciais.

Esse movimento também dialoga diretamente com a visão da Nuria. Ao acompanhar de perto as discussões promovidas pela AWS e as práticas observadas no ecossistema britânico, reforçamos a nossa percepção de que a transformação digital só gera valor quando melhora, de fato, a experiência das pessoas.

Não por acaso, Fernando Soares destacou um dos principais aprendizados da missão ao afirmar:

"Essa imagem resume exatamente o que a gente faz: integração, Digital Front Door e experiência do paciente."

Mais do que uma coincidência conceitual, essa convergência reforça que a estratégia construída pela Nuria está alinhada às principais referências internacionais em saúde digital.

Quando o hospital ultrapassa suas próprias paredes

Talvez um dos conceitos mais provocativos apresentados durante a missão tenha sido o de Hospital with and without walls.

Embora o nome pareça remeter a um futuro distante, a proposta descreve uma realidade que já começou.

Durante décadas, a assistência esteve concentrada dentro das estruturas físicas dos hospitais. Consultas, exames, orientações e acompanhamentos aconteciam quase exclusivamente de forma presencial. Hoje, esse modelo já não responde às expectativas dos pacientes nem às necessidades das instituições.

O hospital continua existindo, mas deixou de ser o único lugar onde o cuidado acontece.

Cada vez mais, diferentes etapas da jornada assistencial são realizadas digitalmente, permitindo que o acompanhamento acompanhe o paciente onde ele estiver.

Esse novo modelo combina diferentes iniciativas, entre elas:

  • teleconsultas e telemonitoramento;

  • envio digital de exames e prescrições;

  • comunicação ativa com pacientes;

  • acompanhamento remoto de condições clínicas;

  • monitoramento pós-alta;

  • lembretes automatizados;

  • integração entre canais presenciais e digitais.

O objetivo não é substituir o atendimento presencial, mas expandir sua capacidade por meio de uma experiência contínua, gerando um relacionamento permanente  entre instituição e paciente.

Essa mudança representa uma das transformações mais profundas observadas durante a missão internacional e prepara o terreno para outro tema que permeou praticamente todas as discussões em Londres: o papel da inteligência artificial em um ecossistema de saúde verdadeiramente conectado.


Inteligência artificial não transforma a saúde sozinha. 

Ao contrário do entusiasmo superficial que frequentemente domina esse debate, as conversas conduzidas por especialistas da AWS e pelas organizações visitadas deixaram uma mensagem bastante clara: a IA não substitui uma estratégia de transformação digital: ela potencializa uma estratégia que já está bem estruturada.

Em outras palavras, não basta incorporar modelos de IA à rotina hospitalar se os dados permanecem fragmentados entre diferentes sistemas, se as equipes trabalham com informações desconectadas ou se a infraestrutura tecnológica não permite que essas soluções conversem entre si.

É justamente nesse ponto que a interoperabilidade assume um papel estratégico.

Mais do que uma característica técnica, ela se tornou um requisito para que a inteligência artificial consiga entregar valor real às instituições de saúde. Afinal, algoritmos aprendem a partir dos dados disponíveis. Quando essas informações estão dispersas, incompletas ou inacessíveis, a capacidade da IA de apoiar decisões clínicas, automatizar processos ou personalizar o atendimento também fica comprometida.

Durante a missão, ficou evidente que as organizações mais avançadas não estão discutindo apenas quais aplicações de IA implementar. Elas estão investindo, primeiro, na construção de uma infraestrutura capaz de conectar dados de diferentes fontes e transformar essas informações em inteligência acionável.

Esse entendimento muda completamente a forma como os gestores devem enxergar a inovação e o caminho passa, necessariamente, por pilares como interoperabilidade, integração entre plataformas, governança de dados e infraestrutura em nuvem. Ideias muito alinhadas ao caminho da Nuria.

A visita ao NHS mostrou que a inovação acontece quando tecnologia e estratégia caminham juntas

Entre todos os compromissos da missão, a visita ao NHS (National Health Service) representou um dos momentos mais relevantes.

Conhecer uma das maiores referências mundiais em saúde pública digital nos permitiu observar como conceitos frequentemente discutidos no mercado ganham aplicação prática em larga escala.

O que mais nos chamou a atenção não foi a presença de tecnologias sofisticadas, mas a forma como elas são utilizadas para resolver problemas concretos da jornada assistencial.

A lógica apresentada pelo NHS parte de um princípio simples: a tecnologia deve reduzir barreiras entre pacientes, profissionais e serviços, tornando o acesso ao cuidado mais fluido, integrado e contínuo.

Essa visão se materializa por meio de iniciativas como integração entre sistemas, canais digitais unificados, acompanhamento remoto, compartilhamento seguro de informações e experiências centradas no paciente.

Ao refletir sobre a visita, Fernando Soares destacou justamente esse aspecto:

"Foi muito interessante entender como funciona o ecossistema de saúde deles, como eles enxergam tecnologia e IA e, principalmente, como podemos trazer esse conhecimento para aplicar no Brasil."

Mais do que observar boas práticas internacionais, a missão permitiu identificar quais delas podem acelerar a evolução da saúde brasileira.

Esse talvez tenha sido um dos maiores ganhos da experiência: perceber que os desafios enfrentados pelas instituições nacionais são semelhantes aos discutidos pelas principais referências globais. O caminho para superá-los também passa pelos mesmos fundamentos: integração, interoperabilidade, infraestrutura digital e foco na experiência do paciente.


Working Backwards: a inovação começa pela necessidade das pessoas, não pela tecnologia

Outro aprendizado relevante da missão veio da metodologia Working Backwards, apresentada pela AWS.

Embora tenha sido criada para orientar o desenvolvimento de produtos, sua lógica se aplica perfeitamente aos desafios enfrentados pelas organizações de saúde.

E o princípio é simples: antes de pensar em funcionalidades, plataformas ou recursos tecnológicos, é preciso compreender profundamente qual problema precisa ser resolvido e qual experiência se deseja entregar ao usuário e só depois disso a tecnologia entra em cena.

Essa inversão de perspectiva parece sutil, mas representa uma mudança significativa na forma como projetos de inovação são conduzidos.

Durante muito tempo, iniciativas de transformação digital partiram da aquisição de novas ferramentas. O resultado, em muitos casos, foi a criação de processos igualmente complexos, apenas digitalizados.

O Working Backwards propõe o caminho inverso.

Primeiro, define-se a experiência ideal para o paciente, depois, identificam-se as necessidades dos profissionais e em seguida, desenham-se os processos. Por fim, escolhem-se as tecnologias mais adequadas para viabilizar essa jornada.

O que esses aprendizados significam para hospitais, clínicas e operadoras brasileiras?

Embora as discussões tenham acontecido em Londres, os desafios debatidos fazem parte da rotina de praticamente todas as organizações de saúde brasileiras, como a fragmentação de sistemas, a dificuldade para compartilhar informações, experiências pouco integradas, excesso de atividades operacionais e baixa interoperabilidade entre plataformas.

Se você identificou algum desses desafios na sua rotina, sabe que esses obstáculos limitam não apenas a eficiência operacional, mas também a capacidade de oferecer uma experiência de cuidado consistente ao paciente.

Mas ao mesmo tempo, a expectativa da sociedade mudou e os pacientes esperam a mesma facilidade que encontram em outros setores: acesso digital, comunicação rápida, continuidade entre canais e informações disponíveis quando precisam delas.

Ou seja, atender a essas expectativas exige muito mais do que adquirir novas tecnologias e passa por uma estratégia capaz de conectar toda a jornada assistencial.

Foi justamente essa convergência entre os desafios brasileiros e as tendências internacionais que reforçou a nossa visão durante a missão.

Nesse contexto, nossa participação na Brazilian HealthTech Immersion: London Edition reforçou a maturidade da estratégia que vimos desenvolvendo ao lado de hospitais, clínicas e operadoras brasileiras. 

As discussões realizadas em Londres dialogam diretamente com soluções que já fazem parte do nosso ecossistema, como a interoperabilidade entre plataformas, a construção de experiências digitais por meio do Digital Front Door, a aplicação de inteligência artificial com a Nur.IA e integrações estratégicas, como a realizada com a Doctoralia.

Ao observar esse alinhamento com as principais referências internacionais, Fernando Soares sintetizou o sentimento da equipe:

"Foi muito legal perceber que estamos seguindo o caminho certo. A principal referência em saúde digital aqui em Londres está construindo uma estratégia muito alinhada com aquilo que estamos desenvolvendo na Nuria."

Essa percepção fortalece não apenas a confiança na direção adotada pela empresa, mas também sua responsabilidade de continuar contribuindo para a evolução da saúde digital no Brasil.

Mais do que acompanhar essa transformação, nós queremos contribuir ativamente para ela, sempre trazendo ao Brasil os aprendizados, tendências e soluções que estão redefinindo a saúde em escala global. 


Caso queira saber mais sobre a atuação da Nuria no evento, visite as páginas About Amazon, Startupi, Business Week, Diário de Minas, IA Brasil, Revista Empreende e Gazeta da Semana.

Continue acompanhando a Nuria para conhecer as inovações que estão moldando o futuro do setor e descobrir como elas podem transformar a realidade da sua instituição. 

Até o próximo artigo.

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