23 de fevereiro de 2025
O que aprendemos com o Google sobre o futuro da busca e da jornada digital do paciente

A forma como as pessoas buscam informações está mudando rapidamente. No entanto, a transformação vai muito além da tecnologia e o que está em jogo é uma mudança de comportamento que afeta diretamente a maneira como consumidores descobrem serviços, tomam decisões e interagem com marcas.
Durante o Global Travel and Local Search & Ads Executive Summit 2026, realizado pelo Google em Cambridge, um dos temas centrais foi justamente a evolução da busca impulsionada pela inteligência artificial. As discussões mostraram que estamos entrando em uma nova fase, na qual a busca deixa de ser apenas uma ferramenta para encontrar informações e passa a atuar como uma plataforma capaz de apoiar decisões e resolver necessidades.
Para as instituições de saúde, esse movimento tem implicações importantes, afinal, a jornada digital do paciente está cada vez mais conectada a experiências conversacionais, personalizadas e orientadas por contexto.
O que vimos neste evento do Google
O evento reuniu lideranças globais para discutir o futuro da busca, da publicidade digital e das experiências impulsionadas por inteligência artificial. Entre os principais tópicos abordados estavam AI Powered Search, personalização em escala, busca multimodal e as chamadas Agentic Experiences.
Em comum, todas essas tendências apontam para uma mesma direção: as pessoas querem menos esforço para encontrar respostas e mais apoio para tomar decisões.
Nesse cenário, a relevância deixa de depender apenas da presença digital. Ela passa a depender da capacidade de fornecer informações confiáveis, estruturadas e úteis para ambientes cada vez mais orientados por IA.
Como destacou Fernando Soares, CEO da Nuria:
"O principal aprendizado que levamos do evento é que a busca está evoluindo de uma ferramenta de descoberta para uma plataforma de decisão. Isso muda completamente a forma como as empresas precisam pensar sua presença digital."
— Fernando Soares, CEO da Nuria
Essa mudança exige uma revisão da forma como organizações estruturam conteúdos, organizam dados e desenham experiências digitais. Nesse novo cenário, a relevância digital estará diretamente ligada à capacidade de ser recomendado por sistemas inteligentes.

A busca está mudando mais rápido do que imaginamos
Durante muitos anos, o modelo de busca foi relativamente simples: o usuário digitava palavras-chave e recebia uma lista de links. Hoje, esse comportamento já começa a mudar.
As pessoas fazem perguntas completas, descrevem situações específicas e esperam respostas contextualizadas. Em vez de pesquisar apenas "cardiologista próximo", por exemplo, o usuário pode perguntar: "Qual especialista devo procurar para dores frequentes no peito e histórico familiar de problemas cardíacos?".
Essa evolução está sendo impulsionada por três grandes transformações:
Busca conversacional
A interação se torna mais próxima de uma conversa humana e o usuário não precisa mais adaptar sua linguagem ao mecanismo de busca. Pelo contrário, a tecnologia passa a compreender contexto, intenções e objetivos.
Como resultado, a qualidade das respostas ganha mais relevância do que a simples correspondência entre palavras-chave.
Busca multimodal
O texto já não é o único formato de entrada e os usuários combinam voz, imagens, localização, histórico de navegação e outros sinais contextuais para realizar buscas mais completas.
Consequentemente, a descoberta de serviços passa a acontecer em diferentes canais e formatos, exigindo uma presença digital mais integrada.
Experiências orientadas por IA
A inteligência artificial está deixando de atuar apenas como mecanismo de recuperação de informações. Agora, ela também interpreta contextos, organiza conteúdos e apresenta recomendações que ajudam o usuário a avançar em sua jornada.
Na prática, isso reduz a distância entre a dúvida inicial e a tomada de decisão.
Da pesquisa à ação: a ascensão das Agentic Experiences
Entre os conceitos mais discutidos durante o evento, as Agentic Experiences merecem atenção especial: o termo se refere a experiências nas quais agentes de inteligência artificial assumem um papel ativo durante a jornada do usuário.
Em vez de simplesmente responder perguntas, esses agentes ajudam as pessoas a atingir objetivos.
Isso pode incluir:
Sugerir opções mais adequadas para uma necessidade específica;
Comparar alternativas;
Organizar informações relevantes;
Apoiar processos de decisão;
Executar determinadas ações em nome do usuário.
Nesse novo modelo, a busca não termina quando a informação é encontrada, mas sim continua até que a necessidade seja resolvida.
O foco deixa de estar na pesquisa em si e passa a estar no resultado que o usuário deseja alcançar. Por isso, organizações que oferecem experiências digitais fragmentadas tendem a enfrentar dificuldades crescentes em um cenário cada vez mais orientado por conveniência e eficiência.

O que essa mudança significa para a saúde?
Poucos setores sentirão essa transformação de forma tão intensa quanto a saúde.
Historicamente, pacientes enfrentam jornadas complexas, marcadas por múltiplos canais, excesso de informações e processos que exigem esforço para serem concluídos.
Ao mesmo tempo, o comportamento digital está mudando: os pacientes desejam encontrar respostas rapidamente. Querem entender opções de tratamento, descobrir serviços adequados às suas necessidades e acessar cuidados sem enfrentar barreiras desnecessárias.
Nesse contexto, a jornada digital do paciente passa a ser um elemento estratégico para instituições que desejam oferecer uma experiência diferenciada.
Em um futuro próximo, experiências baseadas em inteligência artificial poderão apoiar atividades como:
Descoberta de serviços de saúde;
Identificação de profissionais adequados;
Comparação de opções assistenciais;
Orientação ao longo da jornada;
Agendamento de consultas e exames;
Acompanhamento de etapas do cuidado.
Mais do que automatizar processos, essas soluções têm potencial para reduzir atritos e tornar a experiência mais fluida.
Como ressalta Fernando Soares:
"Na saúde, essa transformação é especialmente relevante porque o paciente não busca apenas informação. Ele busca orientação, confiança e acesso rápido ao cuidado. A tecnologia precisa ajudar a reduzir essa distância."
— Fernando Soares, CEO da Nuria
O que hospitais e clínicas precisam fazer para evoluir a jornada digital do paciente
Embora muitas dessas mudanças ainda estejam em evolução, algumas ações já podem ser implementadas para fortalecer a preparação das instituições. Veja:
Estruturar dados para ambientes impulsionados por IA
Dados estruturados ajudam mecanismos de busca e sistemas de inteligência artificial a compreenderem melhor informações sobre serviços, especialidades, unidades, profissionais e horários de atendimento.
Assim, quanto maior a qualidade da estruturação, maior a capacidade de ser interpretado corretamente por plataformas inteligentes.
Priorizar conteúdo de qualidade
A inteligência artificial depende de informações confiáveis para gerar recomendações. Por isso, conteúdos atualizados, completos e alinhados às necessidades reais dos pacientes tendem a ganhar relevância.
Além do SEO tradicional, cresce a importância do GEO (Generative Engine Optimization), abordagem focada em tornar conteúdos mais compreensíveis para mecanismos generativos.
Conectar experiências digitais
Pacientes não enxergam departamentos ou sistemas internos. Eles só conseguem visualizar uma única jornada.
Portanto, experiências fragmentadas entre site, aplicativo, atendimento, agendamento e comunicação podem gerar fricções que impactam diretamente a percepção de qualidade. Ou seja, a integração passa a ser um diferencial competitivo.
Investir em personalização em escala
A expectativa dos usuários é receber experiências mais relevantes e contextualizadas e isso não significa apenas personalizar mensagens, mas também oferecer caminhos mais adequados às necessidades de cada paciente ao longo de sua jornada.

O que esperar da busca baseada em IA nos próximos anos?
As discussões realizadas no Google Cambridge deixaram uma mensagem clara: estamos entrando em uma nova era da busca digital.
Uma era em que inteligência artificial, contexto, dados estruturados e experiências integradas trabalham juntos para ajudar pessoas a resolver necessidades de forma mais eficiente.
Para as instituições de saúde, isso representa uma oportunidade significativa de evoluir a jornada digital do paciente e fortalecer o relacionamento com quem busca cuidado.
Nesse cenário, organizações que investirem desde agora em experiência digital, qualidade da informação e integração de jornadas estarão mais bem posicionadas para atender às expectativas de um paciente cada vez mais conectado, informado e apoiado pela inteligência artificial.
Vamos juntos nessa jornada? Siga acompanhando a Nuria para entender como tecnologia, dados e experiência estão transformando a saúde.
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