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23 de fevereiro de 2025

IA na saúde: por que governança é mais urgente que algoritmo?

IA na saúde

É nítido que a inteligência artificial já chegou aos hospitais. Em muitos casos, ela já está integrada a fluxos clínicos, operacionais e administrativos. Ainda assim, existe um desconforto silencioso entre os gestores: a sensação de que, apesar da adoção, o controle ainda não acompanha a velocidade da tecnologia.

Fique calmo: esse cenário não é uma percepção isolada. O Mapa da Maturidade Digital dos Hospitais Brasileiros 2025, desenvolvido pela Anahp em parceria com a FOLKS (DMI-H), revela um cenário claro: enquanto a adoção de IA ainda é incipiente, cerca de 23%, a maturidade em governança, tanto de IA quanto institucional, permanece baixa, girando entre 41% e 38%.

Diante disso, surge uma mudança de foco inevitável: o desafio da IA na saúde não se reflete mais apenas no aspecto técnico e agora, ele é estrutural, organizacional e estratégico.

Vamos entender melhor o que isso significa? Continue a leitura.

O hype da IA na saúde

Nos últimos anos, a inteligência artificial hospitalar passou de promessa para pauta prioritária nas agendas executivas. Seja para apoio à decisão clínica, otimização de leitos ou automação de processos, o potencial é evidente.

Além disso, o próprio ecossistema reforça esse movimento. Iniciativas públicas e privadas vêm acelerando investimentos em hospitais inteligentes e medicina de precisão, ampliando o uso de IA em larga escala .

No entanto, há um ponto crítico: grande parte dessa adoção ainda acontece de forma fragmentada. Projetos isolados, pilotos desconectados e soluções sem integração real com a operação.

Consequentemente, o que deveria gerar valor estratégico muitas vezes se limita a ganhos pontuais.

(H2) Governança é o componente que poucos discutem

Quando olhamos com mais profundidade para o Mapa da Maturidade Digital dos Hospitais Anahp 2025, o cenário fica mais claro, e mais preocupante.

Embora a maturidade digital média seja de 56,3%, indicando avanço relevante, os domínios mais estratégicos ainda apresentam fragilidades.

Entre eles:

  • Estratégia e governança: 57,9%

  • Governança (subdomínio): 38%

  • Governança de IA: 41%

Ao mesmo tempo, áreas mais técnicas como Infraestrutura, arquitetura e segurança já estão mais evoluídas com 64,1%.

Ou seja, os hospitais estão construindo capacidade tecnológica mais rápido do que capacidade de governá-la. E isso é exatamente o que torna a inteligência artificial hospitalar um risco.

IA sem dados estruturados não é escalável

Um dos pontos mais relevantes do estudo está no domínio de Dados e Informações, com maturidade de 49,9% .

Na prática, isso revela que a análise de dados evoluiu (analytics e avaliação de impacto com índices mais altos), mas a base ainda é frágil (integração, padronização e governança de dados).

O próprio estudo destaca que existem lacunas em integração de dados, terminologias e continuidade do cuidado.

Dessa forma, esse cenário tem uma implicação direta: sem dados organizados e interoperáveis, a IA não consegue escalar. Pois ela até pode funcionar em pilotos, mas não sustenta nenhuma operação real.

Além disso, o relatório reforça que fragilidades em governança e estrutura de dados limitam o pleno aproveitamento das tecnologias, especialmente as mais avançadas, como IA.

Esse é justamente um dos pilares da jornada digital na saúde e entender essa estrutura é o que diferencia iniciativas isoladas de transformação real. Leia o artigo completo sobre o assunto aqui.

Equipe médica se reunindo com dados

IA sem governança é um risco estratégico

A implementação de IA na saúde sem políticas claras de uso e accountability expõe a instituição a três tipos de riscos críticos:

  1. Risco regulatório: Com o avanço da LGPD e legislações específicas para saúde, a falta de trilhas de auditoria pode gerar sanções severas.

  2. Risco assistencial: Algoritmos caixa-preta, cujas decisões não são explicáveis, podem induzir a erros clínicos se não houver supervisão humana estruturada.

  3. Risco reputacional: O vazamento de dados ou vieses algorítmicos podem destruir a confiança do paciente e da marca hospitalar em tempo recorde.

De acordo com o mesmo Mapa da Maturidade Digital, a segurança de dados em saúde precisa ser encarada como uma prioridade de governança corporativa, e não apenas como um checklist do departamento de TI.

Como tem sido na sua instituição?

O caminho é política, estrutura e interoperabilidade

Se o problema não é tecnologia, a evolução passa necessariamente por base organizacional.

E o estudo aponta direções claras.

A transformação digital sustentável, especialmente quando envolve IA,  exige estruturação em três frentes integradas:

Primeiro, é indispensável formalizar políticas e diretrizes. Isso inclui definir critérios de uso da IA, regras de validação, padrões éticos e responsabilidades claras. Sem esse nível de formalização, cada iniciativa nasce de forma isolada, dificultando escala e controle.

Além disso, a estrutura de governança precisa evoluir. O estudo recomenda a criação de comitês estratégicos multidisciplinares e o desenvolvimento de planos diretores com roadmap e indicadores bem definidos . Isso garante que a tomada de decisão deixe de ser reativa e passe a ser orientada por estratégia.

Por fim, a interoperabilidade aparece como condição crítica. O próprio relatório evidencia que limitações na integração e padronização de dados reduzem o potencial das tecnologias digitais . Sem uma arquitetura de dados conectada, a IA não escala e pode até amplificar ineficiências existentes.

Portanto, o avanço real não está em adotar mais tecnologia, mas em organizar melhor o ambiente onde ela opera.

Será que o futuro da saúde não será definido por algoritmos?

Finalizando, o Mapa da Maturidade Digital dos Hospitais Anahp 2025 deixa uma mensagem clara: hospitais brasileiros já avançaram na digitalização, mas ainda precisam evoluir na sustentação dessa transformação.

A baixa maturidade em governança, dados e estrutura organizacional mostra que o maior risco hoje não é ficar para trás na adoção de IA, mas sim, avançar sem sustentação.

Porque, no fim, a vantagem competitiva não está em quem implementa inteligência artificial, está em quem consegue governá-la com segurança, escala e responsabilidade.

A Nuria está ao lado das instituições que entenderam que o futuro da saúde se constrói com estratégia, governança e responsabilidade.

Se esse também é o seu caminho, vamos construir juntos! Obrigado pela leitura.




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