23 de fevereiro de 2025
O futuro da saúde digital em debate no AWS Summit São Paulo 2026

A saúde digital já deixou de ser uma aposta de futuro. Hospitais, clínicas, operadoras e healthtechs brasileiras incorporaram tecnologia à operação, à gestão e à experiência do paciente. O desafio agora é mais complexo: como fazer todas essas soluções trabalharem juntas?
Essa foi uma das questões centrais do painel “O Futuro da Saúde Digital: Lições de 3 Healthtechs Brasileiras”, realizado no AWS Summit São Paulo 2026. O encontro reuniu Fernando Soares, CEO e fundador da Nuria; Guilherme Weigert, CEO da Conexa Saúde; e Vander Corteze, CEO e fundador da Beep Saúde, para discutir os caminhos da saúde digital no Brasil.
Realizado em 3 de setembro, o AWS Summit São Paulo colocou inteligência artificial, computação em nuvem e transformação digital entre os principais temas do evento. No painel dedicado às healthtechs, porém, a discussão foi além da tecnologia em si: entrou em pauta a dificuldade de escalar empresas em um setor regulado, a fragmentação das soluções e a necessidade de construir um ecossistema mais integrado.
Esse debate aponta para uma mudança importante de perspectiva. O futuro da saúde digital não depende apenas de criar novas tecnologias, mas de conectar as tecnologias que já existem.
Continue a leitura para entender mais.
Empreender em saúde exige mais do que tecnologia
Criar uma solução tecnológica para saúde significa operar em um ambiente muito diferente daquele encontrado em outros mercados digitais. Regulação, segurança de dados, integração com sistemas legados, complexidade operacional, ciclos de venda mais longos e diferentes interesses dentro de uma mesma instituição fazem parte da realidade das healthtechs no Brasil. Por isso, crescer não significa simplesmente conquistar mais usuários ou ampliar a infraestrutura.
É necessário construir uma operação capaz de escalar sem perder confiabilidade.
Além disso, o próprio papel dos fundadores muda à medida que uma healthtech amadurece. Se, no início, o foco costuma estar na construção do produto e na validação do modelo de negócio, o crescimento exige uma visão cada vez mais sistêmica sobre mercado, infraestrutura, pessoas, parceiros e clientes.
No setor de saúde, essa visão é ainda mais importante porque uma tecnologia raramente funciona de maneira completamente independente. Ela precisa conversar com hospitais, clínicas, operadoras, profissionais, plataformas, sistemas de gestão e, principalmente, com a jornada do paciente.
A saúde digital cresceu. Mas os sistemas também começaram a se multiplicar
Existe uma contradição no avanço da transformação digital na saúde: de um lado, nunca houve tantas ferramentas disponíveis para melhorar processos, atendimento e experiência e de outro, a multiplicação de soluções pode aumentar a fragmentação quando cada sistema opera como uma ilha.
Um hospital pode ter uma plataforma para agendamento, outra para relacionamento com o paciente, um sistema de prontuário, ferramentas de comunicação, soluções financeiras e diferentes aplicações baseadas em inteligência artificial.
Cada uma delas pode funcionar muito bem individualmente, o problema aparece quando essas tecnologias precisam trabalhar juntas.
Imagine, por exemplo, um paciente que agenda uma consulta digitalmente, recebe uma comunicação por outro canal, realiza o atendimento em um sistema diferente e depois precisa acessar informações ou dar continuidade ao cuidado em outra plataforma.
Se os sistemas não compartilham informações adequadamente através da multicanalidade, parte do contexto se perde a cada etapa.
Para o paciente, isso pode significar repetição de dados, informações desencontradas e uma experiência pouco fluida. Para a instituição, pode representar retrabalho, processos manuais, perda de eficiência e dificuldade para obter uma visão completa da jornada.
Por isso, digitalizar cada etapa isoladamente não garante uma jornada digital integrada.
É justamente nesse ponto que a discussão sobre o futuro da saúde digital ganha uma dimensão estratégica.
Interoperabilidade: quando os sistemas começam a conversar
Em termos simples, interoperabilidade na saúde é a capacidade de diferentes sistemas e tecnologias trocarem informações e utilizarem esses dados de maneira adequada, mesmo quando foram desenvolvidos por empresas ou para finalidades diferentes.
Na prática, ela é uma das bases para construir um ecossistema de saúde conectado.
A integração pode gerar impactos em diferentes níveis:
Para a instituição: reduz processos manuais e facilita o fluxo de informações entre sistemas.
Para os profissionais: permite acessar informações relevantes de maneira mais organizada.
Para o paciente: diminui rupturas na jornada e contribui para uma experiência mais fluida.
Para as empresas de tecnologia: facilita a conexão com outras soluções e amplia as possibilidades de escala.
Para o ecossistema: cria condições para que diferentes players atuem de maneira complementar.
Portanto, interoperabilidade não deve ser tratada apenas como um assunto de tecnologia ou infraestrutura, já que ela também é uma questão de negócio.
Quanto mais conectadas estiverem as soluções, maior tende a ser a capacidade de uma instituição construir jornadas consistentes sem precisar substituir todo o seu ambiente tecnológico a cada nova necessidade.
Esse ponto é especialmente relevante para gestores. Afinal, a pergunta deixa de ser apenas “qual tecnologia devemos contratar?” e passa a ser “como essa tecnologia vai se conectar ao que já temos?”
Essa mudança de pergunta pode evitar decisões isoladas e contribuir para uma estratégia de transformação digital mais sustentável.

O que o Brasil pode aprender com ecossistemas mais conectados?
A discussão sobre integração também apareceu na experiência da Brazilian HealthTech Immersion: London Edition, iniciativa promovida pela AWS durante a London Tech Week de 2026.
A missão reuniu executivos de oito healthtechs brasileiras em Londres para uma agenda voltada a temas como inteligência artificial, inovação, segurança, escalabilidade e internacionalização. A Nuria esteve entre as empresas participantes.
Um dos aprendizados que emerge dessa experiência é a importância de enxergar a empresa não apenas pelo produto que desenvolve, mas pelo papel que desempenha dentro de um sistema maior.
Essa diferença pode ser representada assim:
Soluções isoladas
Cada empresa desenvolve sua tecnologia → resolve um problema específico → depende de integrações pontuais → cria uma jornada fragmentada.
Ecossistema integrado
Diferentes empresas desenvolvem soluções complementares → sistemas compartilham informações → organizações colaboram → a jornada se torna mais conectada.
A diferença parece conceitual, mas tem consequências práticas.
Quando uma healthtech pensa desde o início em integração e interoperabilidade, ela não está apenas facilitando a implementação do seu produto. Está criando condições para que ele participe de uma rede maior de soluções.
Essa visão ganha relevância conforme o mercado amadurece. A própria AWS aponta que o Brasil concentra uma parcela significativa das healthtechs da América Latina e que essas empresas enfrentam desafios relacionados a infraestrutura, escalabilidade e conformidade.
Nesse contexto, colaboração deixa de ser apenas uma característica desejável do ecossistema. Ela passa a ser uma forma de reduzir a fragmentação.
IA e nuvem aceleram o que a integração torna possível
Se a interoperabilidade ajuda a conectar o ecossistema, inteligência artificial e computação em nuvem podem acelerar sua capacidade de evoluir.
A IA já pode apoiar diferentes pontos da jornada de saúde, desde atendimento e comunicação até análise de informações e automação de tarefas. A IA generativa amplia ainda mais esse potencial ao permitir interações mais naturais e aplicações capazes de lidar com grandes volumes de informação.
No entanto, existe uma condição importante: tecnologia avançada não compensa uma arquitetura desconectada. Uma aplicação de IA pode ser extremamente sofisticada, mas seu impacto será limitado se não conseguir acessar, interpretar ou utilizar adequadamente as informações necessárias para cumprir sua função.
O mesmo vale para a nuvem.
Mais do que transferir infraestrutura para outro ambiente, a computação em nuvem pode oferecer capacidade de escala, disponibilidade e flexibilidade para empresas que precisam evoluir rapidamente.
Na saúde, isso ganha uma dimensão estratégica porque o crescimento tecnológico precisa acompanhar requisitos de segurança, disponibilidade e conformidade. Assim, IA e nuvem não devem ser analisadas como tendências independentes.
Elas fazem parte de uma infraestrutura mais ampla na qual dados, sistemas, segurança, integração e experiência precisam funcionar em conjunto.
Inovação em saúde precisa caminhar junto com segurança
Existe uma tensão natural quando se fala em inovação na saúde: quanto mais rápido uma empresa deseja testar e implementar novas tecnologias, maior é a necessidade de garantir que esse avanço aconteça dentro de parâmetros seguros. E isso é especialmente relevante quando entram em cena dados sensíveis, inteligência artificial e integração entre diferentes sistemas.
Por isso, o desafio real está em construir uma infraestrutura que permita inovar sem transformar segurança e conformidade em obstáculos posteriores.
Para empresas que conectam diferentes sistemas hospitalares, por exemplo, esse equilíbrio é parte da própria estratégia tecnológica: uma arquitetura adequada precisa permitir evolução contínua, mas também estabelecer controles, governança e critérios claros para o uso das informações.
Esse princípio é fundamental para a saúde digital porque confiança também faz parte da experiência.
O paciente pode não saber qual tecnologia está por trás de um agendamento, de uma comunicação ou de uma ferramenta de IA, porém, ele percebe quando a informação está correta, quando o atendimento é fluido e quando não precisa repetir a mesma história diversas vezes.
Assim, segurança, integração e experiência do paciente não são temas separados, mas se encontram na construção de uma jornada digital confiável.
O próximo salto da saúde digital é coletivo
As discussões do AWS Summit São Paulo 2026 ajudam a colocar uma questão maior sobre o futuro da saúde digital no Brasil.
O setor já avançou na digitalização de processos e agora, precisa avançar na conexão entre eles. E isso significa que as próximas etapas da transformação digital na saúde passam por decisões como:
Como integrar novas tecnologias à infraestrutura existente?
Como permitir que diferentes sistemas troquem informações?
Como reduzir a fragmentação da jornada do paciente?
Como usar IA de maneira segura e estratégica?
Como escalar soluções sem aumentar a complexidade operacional?
Como estimular colaboração entre healthtechs e outros players do ecossistema?
A experiência internacional também reforça essa direção. Na Brazilian HealthTech Immersion, a Nuria esteve em contato com discussões sobre IA, infraestrutura, interoperabilidade e experiência digital do paciente, temas que dialogam diretamente com os desafios encontrados no mercado brasileiro.
Na Nuria, essa perspectiva está diretamente relacionada à forma como entendemos a transformação digital na saúde: não basta criar mais uma solução; é preciso conectar as soluções que fazem parte da jornada.
É nesse espaço entre tecnologia, integração e experiência que a interoperabilidade ganha importância.
A próxima fase da saúde digital no Brasil, portanto, pode não ser definida pela quantidade de novas plataformas criadas, mas pela capacidade de fazer com que elas trabalhem juntas. Porque, no fim, uma saúde mais digital depende de conectar melhor a tecnologia que já existe, mais do que de acumular novas ferramentas.
Como sua instituição pode construir uma jornada de saúde mais conectada?
Conheça como a Nuria conecta sistemas e tecnologias para contribuir para uma experiência digital mais integrada em saúde.
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